


Por Jéssica Gomes e Aleksandra Figueiras, Educadoras do Grupo Adolescer
O mês de maio passou, mas há algo sobre o qual precisamos continuar falando durante todo o ano: um tema imprescindível, que não pode ser deixado de lado e deve ser discutido nas comunidades, escolas e onde mais for possível.
Falar sobre abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes ainda é algo difícil para muitas pessoas, mas é extremamente necessário. O silêncio sobre essa temática acaba fortalecendo a violência, enquanto a informação e o diálogo se tornam importantes ferramentas de proteção. Os dados mostram que os casos de violência sexual, por exemplo, ocorrem majoritariamente dentro de casa. Portanto, a atenção deve ser redobrada e, quanto mais informadas as pessoas estiverem, maiores serão as chances de crianças e adolescentes ficarem livres desse mal.
Todos os anos, essa temática é um ponto forte no Grupo AdoleScER, que atua com módulos formativos sobre o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual contra crianças e adolescentes, visando à prevenção e à disseminação do conhecimento. Muitas vezes, crianças e adolescentes não conseguem reconhecer situações de abuso, manipulação ou exploração, principalmente quando isso acontece próximo de pessoas conhecidas ou em ambientes considerados seguros. Por isso, trabalhar essa temática dentro das comunidades é tão importante, pois visa conscientizar, orientar e fortalecer redes de apoio.

A prevenção começa por meio da escuta, do acolhimento e da informação. Quando os adolescentes compreendem questões relacionadas ao respeito, aos limites, ao consentimento e às formas de pedir ajuda, passam a se sentir mais seguros para identificar situações de risco e buscar proteção.
A sociedade também possui um papel essencial na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, sendo necessário incentivar espaços de escuta, acolhimento e orientação. Trabalhar essa temática contribui para o fortalecimento das redes de proteção, para a identificação de sinais de violência e para a construção de uma cultura de cuidado, respeito e responsabilidade coletiva.
No Adolescer, essa prática é fundamental e constante. Os jovens estudam, internalizam conhecimentos, trazem opiniões sobre o tema, multiplicam informações, desenvolvem projetos de intervenção e fazem com que mais pessoas de suas comunidades e da sociedade também se apropriem desses conceitos para denunciar e contribuir para que mais gente seja informada.
Além disso, o Adolescer também compõe a coordenação da Rede Estadual de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, contribuindo para a promoção de seminários, atos, articulações estaduais, produção de peças de comunicação, viabilização da interiorização da campanha e disseminação de informações para a sociedade pernambucana.
Desde que o Adolescer assumiu esse tema como sua principal bandeira de luta, muito crescimento ocorreu, sobretudo nas comunidades onde atua, com escolas internalizando a temática em seus currículos, promovendo ações nas ruas e ampliando o número de pessoas com conhecimento apropriado sobre o assunto.
Como falamos no início deste texto, não podemos falar sobre violência sexual apenas no mês de maio, mas durante todo o ano.
