Educação entre pares

A Educação entre Pares, termo vindo do inglês “peer educator”, é um processo de ensino e aprendizagem no qual jovens, adolescentes e crianças atuam como facilitadores das ações e atividades para outros adolescentes, crianças e jovens. Ou seja, são iguais falando para iguais. Nele há o empoderamento coletivo já que quem ensina, além de multiplicar o conhecimento, também aprende nesse processo. Todos/as atores/as encontram-se em um círculo de aprendizado contínuo. Na Educação Entre Pares, os facilitadores e as facilitadoras não estão num patamar maior, não há hierarquias e nem domínios de poder, presente, por exemplo, em modelos de educação tradicional. Por virem, geralmente, da mesma comunidade, do mesmo grupo social e faixa etária a linguagem de todas e todos é semelhante. Ou seja: o formador ou a formadora não é a pessoa que sabe tudo, mas sim aquela que conduz processos coletivos para a construção de novos conhecimentos e saberes por meio de questionamentos, reflexões e discussões².

Por passarem pelo mesmo sofrimento social do grupo trabalhado, o compreendem quais abordagens podem aproximar o público, quais os termos e exemplos que facilitem a compreensão e quais as maiores necessidades presentes no contexto em que se está desenvolvendo as ações. Mas é preciso a colaboração na aprendizagem por parte das educadoras e educadores, que são os facilitadores/as do processo. É importante que tenham ouvidos e percepções atentos para identificar as linguagens não orais, e que pratiquem o respeito, se livrem de julgamentos e aceitem as diferenças para que também possam passar esses valores para seus grupos e, ao mesmo tempo, estarem abertos para aprender com a diversidade de mentes que irão se deparar, desconstruindo as representações sociais negativas. Nesse sentido, qualquer adolescente, criança e jovem pode vir a ser um Educador ou Educadora Par.

No Grupo AdoleScER, este processo se dá a partir da identificação de jovens líderes de opinião que são inseridos na instituição e passam por uma formação dividida em módulos, abordando diversos temas sociais que possuem relação com suas vivências de vida, sobretudo comunitária/familiar, organizam atividades e multiplicam informações à outras crianças e adolescentes em escolas públicas ou até mesmo nas ruas do bairro, de maneira lúdica, participativa e democrática.


Tratamento Comunitário

O Tratamento comunitário que é uma metodologia que nasce na América Latina a partir de um trabalho focado na redução de danos com pessoas que usavam abusivamente as drogas e tem com premissa a articulação em rede e a desconstrução das representações sociais chega ao AdoleScER em 2012, com a função de ser mais um aporte metodológico na atuação institucional nas favelas onde atua, agregando e formando gente, identificando com mais subsídio problemas nos territórios e contribuindo com a prevenção e o enfrentamento das violências, por uma cultura de paz.

É a comunidade a grande “fazedora” das transformações sociais e é a partir das potencialidades que existe nela que o Tratamento Comunitário atua: com a identificação e articulação de lideranças ou potenciais lideranças; na ação conjunta com outras instituições, pessoas e suas ligações e talentos; em ações nas ruas do território com finalidades e objetivos pré-organizados para atuar sobre o sofrimento social seja ele individual ou coletivo.

Em termos práticos, no AdoleScER, ocorre da seguinte forma: Adolescentes e jovens são inseridos no projeto e um trabalho sistemático é feito, a partir da formação em módulos temáticos, para enaltecer o potencial de liderança neles e nelas. A etapa seguinte a cada módulo são eles e elas multiplicarem informações, seja em escolas públicas ou nas ruas das comunidades, com atividades elaboradas e desenvolvidas por esses/essas jovens.

Uma estratégia frequente usada são as “Ações de vinculação”, que possuem este nome porque vinculam o objetivo à estratégia, ou seja, desenvolver um experimento social na comunidade, sobre preconceito contra pessoas usuárias de drogas, a fim de identificar a percepção dos moradores e das moradoras sobre este tema e com isso fazer uma reflexão de como pode ser feito este debate com mais afinco na comunidade para desconstrução dos estigmas.

A implementação de dispositivos comunitários, o trabalho permanente de advocacy, a provocação à moradoras e amoradores sobre seus papéis na reivindicação de diretos e tornarem-se ativos nas construções coletivas que tragam melhorias aos seus bairros e, consequentemente, à cidade.

A sistematização também é um ponto central do Tratamento Comunitário, com a produção dos diários de campo, relatórios, preenchimento de instrumentais que sevrem para contribuir no monitoramento da ação, acompanhar com mais embasamento os avanços e problemas identificados e como podemos sempre melhorar nossa intervenção.

Mais informações detalhadas podem ser acessadas aqui


Cuidar do ser | Cuidar do cuidador

Cuidar do ser

Cuidar do Ser! É esse o termo que usamos quando buscamos cuidar uns dos outros. E isso envolve atitudes de afeto e carinho, palavras acolhedoras e de motivação, massagem e relaxamento. E por ser muito importante, trouxemos as atividades de Cuidar do Ser para as reuniões com os familiares dos nossos adolescentes e jovens. Mais ainda, os educadores se dedicaram em promover um momento de lazer fora da Comunidade, envolvendo piscina, dinâmicas, lanche e diversão.

A prática do Cuidar do Ser é institucionalizada no AdoleScER, sendo ela aplicada em todo início de formação, reuniões, justamente para, além e todas as coisas, mostrar que o ambiente em que está ocorrendo na atividade é acolhedor e de muito respeito.



Cuidar do Cuidador

Trabalhar com formação demanda muita energia e afeto: se prepara bastante com estudos, organizando a atividade, elaborando um momento legal de acolhida para receber todos os dias o Educando. Mas quem cuida do Educador que desenvolve isso com tanta dedicação? No Grupo AdoleScER adota-se um trabalho voltado para os cuidados com o ser interior que cada um possui, independente de qualquer tipo de crença ou religião, o mais importante é que o profissional esteja bem para que ele possa construir uma ação em sintonia com as causas humanas e sociais.

Chamamos esse trabalho de “Cuidar do Cuidador”, que é nada menos do que uma técnica proporcionada pela instituição para, como o próprio nome diz, cuidar da mente e do corpo dos nossos educadores e educadoras, seja com: relaxamento, massagem, reflexões sobre sua vida e caminhadas, passeios, momentos para desenvolver a afetividade e o respeito mútuo entre a equipe, dinâmicas mais divertidas, capazes de movimentar o corpo, desafios para serem solucionados naquele momento, dentre outras formas que estão repletas de carinho e afeto.

Os educadores aderem de forma muito saudável e com bastante empatia. É um momento muito esperado por todos que ocorre bimestralmente, em um calendário organizado no planejamento anual a partir de uma escuta de todos os funcionários, que opinam a melhor forma de ser conduzido este momento. São feitas duplas para cada mês que ocorre o Cuidar do Cuidador, e essas duplas são responsáveis de dar o encaminhamento desta atividade. “O Cuidar do Cuidador não é simplesmente uma atividade, é uma terapia” – complementa André Fidelis, coordenador do Grupo AdoleScER.

É fato que para atividades ocorrerem bem com crianças, adolescentes, jovens, familiares, com toda a comunidade e escolas parceiras, o educador precisa estar bem, em sintonia com as demandas sociais que o seu que fazer proporcionará cotidianamente. Não há mágicas nos trabalhos que são desenvolvidos para a construção de um mundo melhor, mas sim pessoas dedicadas que cuidam de outras pessoas e precisam ser cuidadas também.


+3800

Crianças, jovens e adolescentes atendidos

+30000

Pessoas atendidas indiretamente

4

Comunidades com programas permanentes

450

Atividades educativas e comunitárias

12

Escolas públicas parceiras

24

Anos construindo um futuro melhor para as comunidades

 
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