


Há problemas históricos nas periferias, correlacionados ao abandono do Estado em relação à vida das pessoas que moram nelas. Muitas vezes, diz-se que o órgão governamental que mais funciona e está mais presente nas favelas é a polícia, infelizmente, por meio de sua atuação truculenta, causando medo generalizado na população local.
Mas os problemas centrais não dizem respeito apenas à segurança pública: estão distribuídos, em diferentes intensidades, por diversos eixos sociais. A luta pelo direito à moradia no Recife, por exemplo, é histórica. Muitas comunidades hoje só existem porque resistiram às pressões de diversos setores, como os empresariais e governamentais. Podemos citar ainda outros dados preocupantes da cidade, que tem quase 1,5 milhão de habitantes e uma população de 751.888 pessoas sem acesso ao saneamento básico, segundo o Instituto de Água e Saneamento.
Pois bem, são problemas graves e intersetoriais, que funcionam como um efeito em cadeia, associando-se entre si e, por fim, prejudicando a vida das pessoas, em sua imensa maioria, pobres e negras, com soluções que avançam a passos de tartaruga. Não podemos aceitar esse sofrimento social, que se torna histórico no Brasil, sobretudo nas favelas, como algo normal. Isso não deve ser naturalizado.
Pensando em todas essas questões e buscando caminhos para resolver os problemas que afligem as comunidades, o Grupo AdoleScER criou o Fórum Comunitário, um dispositivo social de articulação e mobilização de moradores, voltado para a identificação de problemas sociais e implementação de ações que visam mitigar o sofrimento coletivo. Isso se dá por meio de intervenções no território e/ou pela criação de mecanismos de pressão ao Poder Público, para que atue na implementação e no fortalecimento de políticas públicas nas comunidades.

Os Fóruns nas comunidades já foram responsáveis por diversas conquistas. Antes de detalhá-las, é importante destacar que esses espaços são compostos por moradores com perfil de liderança ou potencial para isso. Mas o que isso significa? Significa que, para participar do Fórum, não é necessário ocupar um cargo formal, como o de presidente de uma associação; basta ser morador e querer mudanças no bairro.
Voltando à força desses Fóruns nas favelas onde atuam, podemos listar algumas das ações realizadas:
Vale salientar que os Fóruns Comunitários são isentos de barganhas políticas ou interesses eleitoreiros, a fim de garantir a participação efetiva da população. Eles respeitam a autonomia, a articulação e a mobilização que partem dos próprios moradores e não de terceiros.

A experiência do Fórum viabiliza diversas possibilidades de prevenção e enfrentamento dos problemas sociais nas comunidades, podendo ser replicada em outros territórios, respeitando as particularidades de cada local e de seus moradores.
Por André Fidelis – Coordenação do Grupo AdoleScER